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Alessandra Yupanqui

Narradora indígena dos Andes

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Alessandra Yupanqui nasceu e cresceu em Lima, no Peru, a cidade com a maior população de falantes de quíchua do país. Criada entre a vida urbana e as raízes andinas de sua família, hoje ela compartilha sua herança indígena quíchua com centenas de milhares de pessoas nas redes sociais.

Yupanqui é criadora de conteúdo, palestrante TEDx, cofundadora e diretora editorial da Sapiens.lat, um meio digital que democratiza o acesso à informação sobre sustentabilidade a partir de uma perspectiva indígena, combinando storytelling e jornalismo para visibilizar soluções do Sul Global. Com sua voz e seu trabalho, ela questiona o extrativismo e convida seus leitores e seguidores a repensar as ideias dominantes sobre o progresso.

“Aceitar que dependemos da Terra desmonta nossa arrogância como espécie.”

“Isso nos obriga a questionar a fantasia obsoleta do crescimento infinito em um planeta com recursos finitos; esse paradigma que o ‘mundo moderno’ nos vende como sofisticação, quando, na verdade, não passa de uma cegueira básica diante dos ciclos biológicos que sustentam até mesmo a economia.”

O que torna o trabalho de Alessandra Yupanqui tão poderoso é a perspectiva a partir da qual ela o constrói. Há quase quatro anos, ao se mudar para uma comunidade andina em Cusco durante a pior seca em quatro décadas, ela se deparou com uma verdade que não podia mais ignorar: a urgência de ir além do antropocentrismo. Foi então que ela criou sua própria plataforma nas redes sociais, um espaço para valorizar a cultura indígena andina não como algo do passado, mas como uma cultura viva, contemporânea e com chaves fundamentais para entender o presente.

Em um país onde o racismo continua profundamente enraizado, apesar de grande parte da população ter ascendência indígena, seu trabalho parte de uma convicção clara: a comunicação pode transformar a cultura. A comunidade que ele construiu — quase um milhão de pessoas entre as plataformas — é prova disso.

A partir de sua identidade e história, Yupanqui não entende os seres humanos como donos da vida, mas como “parte de uma rede de reciprocidades lógicas com o vivo”.

“A verdadeira cooperação é construída de forma horizontal e de longo prazo, transferindo recursos, informações, legitimidade, governança e espaços de decisão. Nisso, precisamos uns dos outros.”

Yupanqui foi reconhecida em 2025 como uma das Forbes 30 Under 30 na categoria de impacto social.

Ela tem colaborado com organizações como Amazon Watch, Amazon Frontlines, Oxfam, Oceana, o Pulitzer Center e a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) das Nações Unidas. Seu trabalho tem sido destaque em meios de comunicação como El País, Forbes, a BBC e a Deutsche Welle.