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A inteligência artificial (IA) tem experimentado um aumento espetacular em sua popularidade nos últimos anos, muitas vezes acompanhado de controvérsias sobre como ela esgota nossa criatividade e nossos recursos naturais.
No entanto, a IA também está gerando ondas de otimismo, especialmente entre os jovens do Sul Global, que estão reimaginando como a IA pode transformar os atuais sistemas de desigualdade e promover maior conexão e cuidado.
Uma das impulsionadoras dessa busca é Payal Arora, cofundadora do Inclusive AI Lab e do FemLab e professora da Universidade de Utrecht. Arora trabalha para integrar diversas formas de dados e perspectivas historicamente marginalizadas nas políticas e nos projetos digitais, com o objetivo de garantir que os dados reflitam a diversidade das realidades humanas e possam criar um espaço para que os seres humanos e a natureza coexistam em maior harmonia.
“O software sem histórias é um corpo sem alma. Muitos de nós sentimos que nossos telefones são uma extensão de nós mesmos. O que nos impede de sentir o mesmo com a natureza?”
Para abordar essa questão, Arora passou décadas estudando e aprendendo com as comunidades indígenas e de baixa renda do Sul Global, observando a sustentabilidade inerente ao estilo de vida dos povos indígenas.
Arora desafia a abordagem insular da tecnologia ocidental ao promover a importância de coletar e divulgar dados com um enfoque centrado no ser humano, reexaminando como a inclusão de pessoas historicamente marginalizadas pode criar dados e processos de tomada de decisão mais equitativos e completos.
“Minha visão da Terra começa com um reconhecimento sincero: antes de podermos falar de um futuro ‘centrado no ser humano’, devemos confrontar até que ponto a humanidade foi sistematicamente desumanizada.”
“Ao nos concentrarmos em formas de conhecimento e de vida historicamente excluídas, podemos ir além da estreita dicotomia ocidental entre o crescimento do mercado e o custo ambiental e imaginar um futuro baseado no cuidado, na continuidade e na sobrevivência coletiva.”
Arora é autora premiada de vários livros, incluindo The Next Billion Users e From Pessimism to Promise. Em 2025, Arora foi nomeada uma das 100 mulheres brilhantes em ética da IA, um de seus muitos reconhecimentos notáveis.Seu próximo livro, Library of the Incalculable, será publicado em novembro de 2026 pela V2_Lab for the Unstable Media.